 Esta decisão rompe com um acordo com os sindicatos que previa a convergência da CGA com o regime geral da Segurança Social apenas em 2015. A intenção em antecipar o aumento da idade da reforma em dois ou três anos foi confirmada por Teixeira dos Santos, que ontem acenou com a ameaça externa de um "bloqueio do financiamento à economia portuguesa".
"Temos de nos convencer de que se não levarmos a cabo esta correcção das finanças públicas, o cenário que teremos pela frente será bem pior, o que pode gerar dificuldades enormes para as empresas, com o custo do crédito a crescer", afirmou.
Ontem, José Sócrates deixou também entreaberta a porta para rever os montantes dos subsídios de desemprego, tal como está indicado no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). É que, regra geral, o subsídio de desemprego corresponde a 65% do ordenado bruto, o que em alguns casos pode aproximar-se ao vencimento líquido no activo. Esta percentagem pode baixar.
"Estou convencido de que, com estas medidas, haverá nova corrida às reformas antecipadas", afirmou José Abrão, vice-presidente do Sintap. "Não podemos compreender que seja o ministro das Finanças, enquanto subscritor do acordo, que o coloque em causa. Se é por uma questão de sustentabilidade financeira, então que corte na acumulação de pensões com vencimentos dos políticos."
Do lado dos sindicatos, estas mudanças não caíram bem.
"Vão ser os mesmos de sempre a pagar a factura", referiu Carvalho da Silva no final da reunião da Concertação Social. O secretário-geral da CGTP considerou ainda que o programa de privatizações de seis mil milhões de euros é uma espécie de privatizações em tempo de saldo.
João Proença, secretário-geral da UGT também se pronunciou: "É totalmente inaceitável qualquer congelamento de salários. Os tempos vão ser duros e vai haver contestação social".
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