| O "envelhecimento da população" e o "crescimento dos custos" são "as duas maiores ameaças" apontadas no livro "30 anos do Serviço Nacional de Saúde", que é hoje lançado na Gulbenkian.
O economista e especialista em Saúde, Jorge Simões, considera o "envelhecimento da população" e o "crescimento dos custos" as duas maiores "ameaças" ao Sistema Nacional de Saúde (SNS), que completou 30 anos em 2009.
Em entrevista à agência Lusa, o coordenador do livro "30 anos do Serviço Nacional de Saúde", que é lançado hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, afirmou que o envelhecimento da população representa "a necessidade do SNS de adaptar as suas respostas a uma população mais envelhecida e mais carenciada de um conjunto de cuidados".
Para Jorge Simões, o crescimento dos custos com a saúde é outra grande ameaça ao SNS. "É uma pressão que se coloca a todos os países da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mas que em Portugal tem representado um especial problema para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)".
No livro, a economista Sofia Nogueira da Silva refere que os gastos com saúde têm vindo a aumentar e, em 2007, segundo o Instituto Nacional de Estatística, representavam já 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o peso dos gastos públicos com saúde era de 7,1% do PIB (OCDE, 2009).
"Apesar da cobertura do SNS, as despesas com saúde das famílias são também relevantes e mais elevadas do que a média europeia", refere a economista, considerando fundamental discutir o financiamento do sistema de saúde e a sua sustentabilidade, e avaliar a eficiência obtida na prestação dos cuidados.
Várias explicações têm sido avançadas para o crescimento real das despesas e para o ritmo deste crescimento, nomeadamente o crescimento do PIB (associado à elasticidade positiva destas despesas), o envelhecimento da população, o ritmo da inovação e desenvolvimento tecnológico, o facto dos cuidados em saúde serem intensivos em trabalho e as formas de organização da prestação de cuidados e do seu financiamento. Para Jorge Simões, "qualquer alternativa ao SNS teria os mesmos problemas que o Serviço Nacional de Saúde tem em relação aos custos".
"A Alemanha, Holanda, a França, a Bélgica e outros países com um sistema diferente do português têm também o mesmo problema do crescimento dos gastos", sustentou.
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