Uma nova vacina experimental contra o paludismo revelou-se sem riscos e eficaz na protecção de crianças, segundo um ensaio clínico realizado no Mali e publicado hoje nos Estados Unidos.
A vacina foi testada em crianças escolhidas ao acaso, com idades entre um e seis anos, numa zona rural do país, por uma equipa internacional de médicos.
Algumas destas crianças receberam uma ou três doses da vacina, enquanto outras foram apenas vacinadas com uma antirrábica.
A dose tripla da vacina contra o paludismo, ou malária, revelou-se sem riscos, bem tolerada e provocou uma forte resposta imunitária, que durou cerca de um ano, relata um ensaio clínico dirigido por investigadores da Universidade de Maryland, no leste dos Estados Unidos.
Neste projeto participaram médicos da Universidade de Bamako, no Mali, o laboratório britânico GlaxoSmithKline Biologicals, os Institutos nacionais norte-americanos da Saúde e a agência norte-americana para o desenvolvimento internacional (USAID).
Motivada pelo sucesso aparente da vacina nesta primeira fase de ensaio clínico (fase 1), a mesma equipa internacional, e investigadores europeus, decidiu testá-la sobre um grupo alargado de 400 crianças do Mali.
A vacina baseia-se numa única fonte do parasita plasmodium, responsável pela forma mais frequente e mortal da malária.
O parasita é transmitido ao ser humano pela picada do mosquito do género Anopheles, que é seu portador.
A vacina, denominada FMP2.1/AS02A, foi desenvolvida no âmbito de uma colaboração entre o instituto de investigação do exército norte-americano Walter Reed e a GlaxoSmithKline e visa o parasita no momento em que este entre no sangue da vítima e se começa a multiplicar, precisa o estudo, publicado na edição online da PLoS ONE, a revista da Public Library of Science.
"Os resultados deste ensaio clínico podem significar que talvez tenhamos conseguido produzir uma vacina que, pela primeira vez, reproduz a imunidade natural contra o parasita", afirmou Christopher Plowe, professor de medicina da Universidade de Maryland e principal autor do estudo.
Neste momento, o candidato a vacina antimalária mais bem colocado no mundo é o RTS,S, sobre o qual decorre um ensaio clínico de fase 3 desde maio de 2009, em 11 locais de sete países africanos (Gabão, Moçambique, Tanzânia, Gana, Quénia, Malawi e Burkina-Faso), e envolvendo 16 mil crianças e recém-nascidos.
Os resultados definitivos deverão ser conhecidos em 2013, abrindo a porta - em caso de sucesso - para a primeira vacina antimalária eficaz em, pelo menos, 50 por cento e cujo efeito dura mais de um ano.
A malária, ou paludismo, mata mais de um milhão de pessoas em cada ano, em todo o mundo, sobretudo crianças com menos de cinco anos e mulheres grávidas, a grande maioria dos quais na África subsaariana.