O telescópio espacial Hubble captou pela primeira vez o que parece o resultado de uma colisão entre dois asteróides. É pelo menos assim que os astrónomos estão a interpretar a misteriosa imagem do que parece ser o núcleo de cometa com um rasto de poeiras em forma de X.
As imagens foram registadas pelo Hubble nos últimos dias de Janeiro, depois de o objecto, designado P/2010 A2, ter sido descoberto no início do ano.
O rasto de poeiras e os restos de material rochoso estendem- -se no espaço em dois filamentos que se cruzam entre si, e no interior dos filamentos movem-se bolhas de material desfeito.
"Isto é muito diferente do que se vê nos rastos dos cometas", explicou David Jewitt, da Universidade da Califórnia, e investigador principal do grupo de astrónomos que está a avaliar a descoberta. "Os filamentos", sublinhou o cientista, "são constituídos por poeiras e pedaços diminutos de rocha, que presumivelmente foram expulsos do núcleo há pouco tempo." Parte deste material está a ser empurrado para trás pela força da radiação solar.
Os cometas são astros viajantes que se formam nos arredores gelados do sistema solar e que entram na órbita do Sol. À medida que se aproximam da estrela, aquecem e os núcleos de gelo sofrem uma vaporização que lhes dá o seu aspecto característico.
O P/2010 A2 parece diferente. A sua órbita está localizada na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, que é povoada por objectos rochosos e sem materiais voláteis. Isso permite pensar que o seu rasto seja afinal o resultado de uma colisão entre dois habitantes daquela região do sistema solar. Essas colisões acontecem ali a velocidades médias de 30 mil km por hora.
"Se esta interpretação estiver correcta, dois asteróides de pequena dimensão, cuja existência desconhecíamos, colidiram ali recentemente, criando um rasto de estilhaços que está a ser lançado para trás pela radiação solar", concluiu David Jewitt.