 A ideia divide as opiniões. José Lello, presidente do Conselho de Administração, garante que não será um lugar de "enjeitados".
No chamado "andar nobre" da Assembleia da República, muito perto do hemiciclo - entre os gabinetes da direcção parlamentar do PSD e a biblioteca - vai surgir uma sala de fumo.
O socialista José Lello não tem dúvidas: "será uma sala com qualidade, um espaço com luz e com tratamento de ar. Um lugar agradável em que os fumadores não se sintam ali como uns enjeitados". Ou "uns segregados".
Terá mesmo de ser uma sala concebida com pormenores técnicos e de qualidade de ar suficientes para poder funcionar dentro da restritiva lei que a mesma Assembleia da República aprovou em 2007. "Estamos descansados quanto a isso , respeitamos a lei porque a sala é um acrescento, não está propriamente dentro do edifício. Será uma espécie de marquise", disse ao JN Lello, que é presidente do Conselho de Administração da Assembleia.
Por princípio geral é proibido fumar em todo o edifício da Assembleia da República por esta ser um órgão de soberania. Mas a lei admite excepções. Além de se poder fumar "nas áreas ao ar livre", é ainda permitido fumar "em áreas expressamente previstas", desde que "estejam devidamente sinalizadas", sejam "separadas fisicamente das restantes instalações, ou disponham de dispositivo de ventilação, ou qualquer outro, desde que autónomo, que evite que o fumo se espalhe às áreas contíguas", e seja "garantida a ventilação directa para o exterior por sistema de extracção de ar".
Ninguém duvida que estas regras venham a estar configuradas na futura "marquise" para fumadores. Porém, a deputada socialista Antónia Almeida Santos considera o espaço "muito exíguo". "Não me agrada nada a ideia de um espaço tão pequeno para os fumadores", declarou ao JN.
Contudo, Lello, que foi o deputado responsável pelo fim do cigarro no hemiciclo, defende que uma sala de fumo tem certas virtualidades: "as pessoas que fumam celebram novas amizades e criam novas cumplicidades".
Por enquanto os deputados, funcionários e jornalistas que queiram fumar têm de se dirigir à varanda frontal do palácio ou aos pátios ao ar livre - o que implica, para muitos, ter de andar muitos metros todos os dias, várias vezes ao dia.
O orçamento da Assembleia para 2010, aprovado na semana passada, prevê ainda a construção de três novas salas de comissões e um elevador para deficientes.
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